O mundo pode até
duplicar a sua população atual, desde que dê
prova de bom senso e procure o caminho adequado
para a sobrevivência.A chave desse caminho se encontra na
concepção fundamental de que vivemos atualmente
num mundo que é um organismo vivo, unitário,
onde todas as partes estão indissoluvelmente
ligadas, o que significa que, desde que uma
dessas partes sofra de fome e esteja ameaçada de
morrer e apodrecer na miséria, todo o organismo
está ameaçado pela mesma infecção.5Os altos coeficientes de natalidade dos
países subdesenvolvidos obedecem à mesma lei
biológica: representam o esforço natural dos
seus efetivos humanos para sobreviverem, visto
que nestas áreas os coeficientes de mortalidade
sempre foram extremamente altos. Só dispondo de
um excesso de gente - a maior parte para morrer e
não para viver - poderiam estes grupos perdurar
através do chamado ciclo antieconômico da sua
evolução populacional, que caracteriza os povos
subdesenvolvidos.4
A explosão demográfica, ao
retardar a elevação dos níveis de vida de
certos grupos, pode agravar, sem dúvida, a sua
situação de fome, mas nunca determinar este
estado de coisas. A fome é, regra geral, o
produto das estruturas econômicas defeituosas e
não de condições naturais insuperáveis.4
Um dos fatores do progressivo
agravamento da situação alimentar do mundo é,
sem dúvida, o fenômeno da explosão
demográfica sobre o qual tanto se fala e ao qual
se atribui uma influência no processo do
desenvolvimento bem maior, bem mais negativa do
que ele na verdade desempenha.4
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A verdade é que a distância
econômica que separa o grupo dos países ricos e
bem alimentados do grupo dos países pobres e
famintos, longe de se encurtar, está a
alargar-se cada vez mais. Não podemos, assim,
acreditar que a luta contra o subdesenvolvimento
possa trazer a curto prazo resultados patentes
que se traduzem pela sensível melhoria da
alimentação dos povos subdesenvolvidos e, a
seguir, pelo desaparecimento do espectro da fome
da superfície da terra. Esta esperança é bem
remota, principalmente quando verificamos que
ocorre no nosso momento histórico essa explosão
demográfica - um crescimento em ritmo sem
precedente do efetivo humano, agravando ainda
mais o desequilíbrio reinante entre os recursos
alimentares disponíveis e as necessidades
biológicas destas populações em crescimento
vertiginoso.4Em matéria de política
demográfica, conheço uma só que é segura:
fazer com que os indivíduos, por si sós,
percebam que a família grande não tem mais sua
razão de ser.... Hoje, tudo isto mudou; a
família atual não exige mais dez filhos, e
sim três filhos. Assim que se compreender isto, o
equilíbrio demográfico se restabelecerá.13
Minha dedução é que existe
uma política demográfica a ser aplicada para
corrigir esses erros, mas não será o controle
de natalidade que nos poderá ajudar neste caso.13
(1992) - Capítulo 5
As políticas de controle demográfico também devem reconhecer o papel desempenhado pelos seres humanos sobre o meio ambiente e o desenvolvimento. É necessário acentuar a percepção dessa questão entre pessoas em posição de tomar decisões em todos os níveis e oferecer, de um lado, melhores informações sobre as quais apoiar as políticas nacionais e internacionais e, de outro, uma estrutura conceitual para a interpretação dessas informações.
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